Espectáculos

Antítese, Anti-ética, Antibiótico

Outubro, 2009

Eu em nenhures. Eu colocado no lugar da solidão e do anonimato. As coordenadas falaciosas do eu são determinadas pela relação de distância física imposta entre um corpo e outro corpo que se anulam a si mesmos no isolamento. Mas à medida que estes progridem decididos no sentido da aproximação, nenhuma existência poderá continuar a ser negada. A matéria move-se contorcida na urgência de comunicar e a direcção do esforço é só uma. Até ao ponto de contacto. É no suor que se encontram. Mais disformes e originais e por isso mais humanos na desumanidade. E o que daqui advém são contracções extremas de sinceridade. Tornamo-nos finalmente permeáveis aos demais. A sensibilidade que hibernava lá longe, para onde ninguém se atrevera a espreitar, despertou ainda convulsa mas determinada. Já não é possível a cisão entre o que nos ensinaram a pensar e o que nos proibiram de sentir.

Texto e Encenação: Pedro Barreiro

Interpretação: Ana Cris | Estêvão Antunes | Óscar Silva

Figurinos: Silvana Ivaldi

  • Outubro, Casa de Pedrógão Grande, Lisboa – Portugal;
  • Novembro, Teatro Sá da Bandeira, Santarém – Portugal;
  • Fevereiro, Associação Juvenil Saliências, Recardães, Águeda – Portugal.