Porque o destino nos segue o rasto como um louco com uma navalha na mão

– um espetáculo de passe – 

Entre acepipes e slows, discute-se a lógica do mito, o poder do espectador e, como se a festa fosse a última esperança capaz de atear a vontade, procuramos no meio dos restos o herói. Ativando-se a memória revolucionária de quem nunca fez uma revolução, construímos uma à nossa imagem e deixamos o resto para os outros. É um espetáculo de passe que já se vendeu, que já se rendeu ao capital e que agora precisa de amor. Como nas canções ligeiras portuguesas, tentamos convencer a amada a aceitar a pesada herança de uma vida pouco recomendável. E como diz a avó Maria, “menos paradas e mais cocktails molotov”.