Primeira Valsa

– um espetáculo ao abandono – 

No início deste projeto tínhamos como ponto de partida um espetáculo em que se abandonasse tudo o que tínhamos feito e pensado até aqui. Queríamos um espetáculo em jeito de epitáfio e que se relacionasse constantemente com a ideia de fim. O apocalíptico era uma tentação à qual tínhamos de resistir, pois o que nos interessava era a indiferença perante a sugestão de uma conclusão, fosse ela qual fosse e, assim sendo, não valeria a pena apostar numa catástrofe como metáfora. Então reescrevemos e recriamos um final ideal. Repetimo-nos e observamos com atenção o espectador que tenta decifrar os elementos que não estão lá.
Esta ausência permanente é a sugestão para que o espetáculo aconteça e ela é apresentada através de uma figura feminina que, enquanto leitmotiv, aparece como a representação do desejo que movimenta, mas que nunca se completa inteiramente. O texto concretiza-se à sua volta e é sempre construído através da perda e da intensidade do fim. É um palimpsesto que permite repensar o discurso e a ação teatral, funcionando como uma tentativa de reconstrução do impulso criativo