um espetáculo absoluto

Este espetáculo é sobre um sonho que é construído em conjunto com a plateia. São utilizados provocadores que levam o espectador não só a imaginar uma cena, mas também, e principalmente, a concretizá-la. Assim, o espetáculo depende exclusivamente da criatividade do público e da sua contribuição para o mesmo. Não se trata de uma simples interatividade onde o espetador faz o trabalho do ator. Trata-se sim de um espetáculo onde a horizontalidade dos papeis que cada um desempenha é levada ao extremo, provocando uma interdependência fortíssima entre os presentes.
O trabalho procura a princípio um universo comum a atores e espectadores e uma vez encontrado, a dramaturgia emerge de forma mais objetiva, onde se explicitam os choques culturais entre Portugal e Brasil, colonizador e colonizado, opressor e oprimido, preto e branco, grande e pequeno, salgado ou doce, e etc. As duas facções e a sua separação são o conflito do próprio espetáculo.
um espetáculo absoluto, é uma comédia em 3 atos sobre um sonho que vai extinguindo aqueles que o sonham. Cada ato é um apelo ao perdão do público por crimes outrora cometidos, por criminosos outrora consumidos – também – por um sonho. O espetáculo é uma procura constante por pessoas capazes de julgar o que deus não julgou sugerindo purgas ou castigos que só os mais corajosos são capazes de enfrentar. um espetáculo absoluto é também sobre o alento daqueles que sobrevivem comendo os restos dos corpos canibalizados por todos os “ismos” criados num lugar chamado Brasil. Aqui, se a violência é o veículo, o silêncio é o triunfo. Embora o espetáculo assente maioritariamente num plano onírico, é visível que o conflito das personagens está precisamente na relação entre inércia da paz interior de cada espectador, com a sua nata capacidade de esquecer tudo o que vê e ouve.
Por se tratar de uma comédia, as personagens principais são portuguesas. É uma história que acaba mal no Brasil, uma história que destrói a vida de muita gente e ninguém quer saber porque o homem só se preocupa com o exorcismo das suas próprias desventuras. Em Absoluto não há saudade nem petróleo, mas sim um campo queimado pelo sal.